Reinvenção da Microsoft

Semana passada publiquei um texto sobre o evento Inspire da Microsoft e gostaria de compartilhar alguns links interessantes que mostram como o novo CEO – Satya Nadella– conseguiu mudar a cara da empresa em tão pouco tempo, colocando essa gigante de software nos holofotes novamente.

Lembrando alguns pontos chave da história:

Depois de 1 ano e pouco à frente da empresa, em julho/15, Satya mudou a missão de:

“Um computador em cada mesa e em cada casa, rodando software Microsoft”

para

“Nossa missão é capacitar todas as pessoas e todas as organizações do planeta para conseguir mais”

Foi muito criticado. O texto parecia vago, não tinha nada com PC, licença de software e ainda tinha uma palavra nada a ver no texto: planeta.

Folha chegou a reproduzir um texto do Financial Time criticando a missão.

Naquela época é bom lembrar:

  • iPhone dominava o mercado mobile de smartphone;
  • Google dominava o mercado de busca e de publicidade (AdWords);
  • Google e Mozila dominavam o mercado de browser – Isso é importante porque tem a ver com TAC (Traffic Acquisition Costs). Só para contextualizar, Google chegou a pagar US$1Bi de revenue share para Apple, em 2014, para ser a busca default no iOS;
  • O mundo estava maravilhado com a tecnologia dos iPhones e afins, Tablets e afins…computador tradicional estava sendo questionado

Ou seja, a missão da Microsoft, de um computador em cada mesa rodando Windows, já estava ultrapassada.

E ela tentou entrar no mercado de mobile, comprando a Nokia e desenvolvendo o Windows Phone. A expectativa era tanta que…..

  • O CEO da Microsoft àquela época, Steve Ballmer, riu do iPhone:

  • E o CEO ainda quis incentivar os desenvolvedores a usar sua plataforma. Olhem que motivacional:

Tudo isso acontecendo…..e começou a surgir uma Amazon com uma tal de nuvem AWS….

As coisas não iam bem na Microsoft… pela primeira vez ela não era dominante em:

  • Navegadores de Internet;
  • Mercado de celular;
  • Mercado de Busca e Portal (lembram do MSN?);
  • Mercado de Cloud por causa da Amazon AWS;

As ações andavam de lado e o império estava seriamente ameaçado – basta ver as ações andando de lado naquele ano de 2015 (Fonte: Yahoo Finance):

Foi neste contexto que Satya Nadella assumiu: uma empresa gigante, lenta e presa à missão que valorizava computador de mesa, licença de software etc…..

Em seu texto, anunciando a nova visão, ele disse:

Em 3,5 anos à frente da empresa, podemos dizer que o indiano está fazendo mágica mesmo! A mudança – ainda em curso – colocou novamente a Microsoft como dominante no mercado e um player difícil de ser batido.

Como disse Tim Campos, ex-CIO do Facebook, no evento do ano passado:

 Microsoft got cool again 

Vamos acompanhar as cenas dos próximos capítulos…

Microsoft reúne 17 mil parceiros e apresenta dois novos conceitos para ser líder no mercado de cloud, internet das coisas (IoT) e inteligência artificial

Intelligent Cloud e Intelligent Edge são as apostas da Microsoft no processo de transformação digital

Satya Nadella no keynote - MIcrosoft Inspire 2017

Satya Nadella no keynote – MIcrosoft Inspire 2017

 

Com a presença de 17 mil parceiros, a Microsoft realizou em agosto seu 16ª encontro anual com parceiros, agora intitulado Inspire, em Washington DC. O evento surpreende pelo tamanho e pela importância dada ao ecossistema, já que a empresa conta com mais de 64 mil parceiros ao redor do mundo – número maior que os parceiros da Amazon AWS, Google e Salesforce somados.

O encontro tem como objetivo divulgar novidades, promover boas práticas dos serviços, compartilhar a visão e as metas financeiras do novo ano fiscal, que inicia agora em agosto.

Desde que assumiu o comando da Microsoft, em fevereiro de 2014, Satya Nadella vem promovendo grandes mudanças para enquadrar a empresa no mercado mobile, internet das coisas (IoT) e de nuvem.

Quando anunciou a nova missão, em julho de 2015, foi muito criticado pelo tom abstrato do texto. Saiu do simples e específico “Um computador em cada mesa e em cada casa” para “Nossa missão é capacitar todas as pessoas e todas as organizações do planeta para conseguir mais”.

Essa mudança de posicionamento mostra um pouco a ambição da empresa, que saiu de um mercado “restrito” de PC de US$25Bi, para um mercado potencial de US$2,5Tri de cloud e mobile.

Mas Satya quer mais.

O terceiro CEO na história da Microsoft quer atuar no mercado potencial de US$4,5 Tri e para isso apresentou dois conceitos novos: Intelligent Cloud e Intelligent Edge.

Estes conceitos são evoluções dos movimentos “mobile first” e “cloud first” e tem como objetivo colocar a Microsoft como líder e como referência no mercado de cloud, inteligência artificial e tecnologia cognitiva.

Segundo Nadella, toda experiência deve ser multi-dispositivos, ter aprendizado automático (machine learning – ML) e inteligência artificial (artificial intelligence – AI). Essa transformação digital se apoia em 4 pilares: capacitação de funcionários, engajamento de clientes, otimização de operações e transformação de produtos e modelos comerciais.

E para isso a Microsoft estruturou suas ofertas em 4 áreas de soluções:

Local de trabalho moderno

A modernização do local de trabalho e capacitação dos funcionários é o primeiro passo na transformação digital, para ganho de produtividade e uso de soluções integradas. Foco em pensamento criativo e crítico ao invés de tarefas rotineiras. Priorização do trabalho em equipe usando sistemas e ferramentas integradas, com garantia de segurança e de mobilidade.

E aqui Satya vendeu seu peixe falando das vantagens do Microsoft 365 com o Office 365, Windows 10 e a Enterprise Mobility + Security em uma solução integrada para capacitar funcionários e tornar as pessoas mais produtivas e mais conectadas.

Aplicações corporativas modernas

Satya discorreu sobre a necessidade de desenvolver aplicações modulares e modernas para as empresas serem ágeis e versáteis, com uso de modelos de dados comum, para que sejam conectados e que permita usar inteligência artificial.

E aqui falou bastante sobre “Business Process Automation”, apresentando a nova solução Microsoft Relationship Solution, que combina Microsoft 365, Dynamics 365 e LinkedIn Sales Navigator. A solução foi concebida para permitir que os vendedores tenham uma visão holística dos seus negócios, a fim de engajar os seus clientes de forma mais eficaz e de redes de forma mais eficiente. A Microsoft também se preocupa com a modernização de Recursos Humanos e Aquisição de Talentos, lançando o Dynamics 365 for Talent, uma solução que cria uma experiência conectada e consistente ao longo do ciclo de vida dos funcionários.

Infra-estrutura e Dados/AI

Com a popularização do Cloud e das novas tecnologias, Satya fez questão de citar as transições do mercado: da virtualização para os containers e microserviços. Dos bancos de dados segmentados para os dados conectados. Do aprendizado de máquina (ML) para serviços cognitivos e AI. O evento serviu também para falar bastante do Azure Stack, versão da nuvem on-premise, que permite empresas irem para nuvem privada, dentro do seu próprio datacenter, antes de começar a jornada para a cloud hibrida, que é a cloud pública com a cloud privada.

Todas estas mudanças estão definindo a próxima era, mudando produtos e modelos de negócio.

Para garantir o sucesso deste novo posicionamento, Satya está promovendo uma das maiores mudanças já vista na área comercial. Agora todos os vendedores serão comissionados pelo consumo e não mais por vendas de licenças. Isso faz com que toda a equipe comercial esteja engajada no consumo, incentivando o uso dos produtos. Esse movimento tem como objetivo garantir a continuidade da relevância da Microsoft na jornada das empresas na transformação digital.

A delegação do Brasil contou com 251 pessoas (201 participantes de mais de 110 parceiros e 50 funcionários). O UOL esteve presente no evento é um dos pioneiros na comercialização do Office 365 na nuvem e no Inspire 2017 foi reconhecida como “Destaque em Office 365” pela equipe SMB da Microsoft Brasil.

Prêmio UOL de destaque no segmento SMB da Microsoft

“Os empreendedores, as pequenas e médias empresas encontram no UOL uma equipe de suporte e atendimento que ajudam na escolha da melhor oferta e no processo de on-boarding, com apoio de uma rede de parceiros qualificada. Este prêmio é o reconhecimento da Microsoft pelo trabalho do UOL ajudando estas pequenas empresas no processo de transformação digital.”, afirma Roosevelt Nascimento, Head de Produtos Digitais do UOL, presente no evento.

Seguem alguns links interessante

http://convergecom.com.br/tiinside/home/internet/10/07/2017/microsoft-reune-17-mil-parceiros-de-negocios-para-liderar-mercado-de-servicos-na-nuvem/?noticiario=TI

http://cio.com.br/noticias/2017/07/10/microsoft-oferece-novos-servicos-on-premise-e-na-nuvem/

https://www.tecmundo.com.br/microsoft/82224-missao-microsoft-planeta-capacitar-conseguir.htm

https://canaltech.com.br/mercado/microsoft-anuncia-nova-missao-da-empresa-em-carta-aos-funcionarios-44095/

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/lucy-kellaway/2015/07/1652243-declaracao-da-missao-da-microsoft-tantas-palavras-a-maioria-delas-vazias.shtml

https://partner.microsoft.com/en-us/inspire/sessions

https://blogs.microsoft.com/blog/2017/07/10/microsoft-puts-partners-center-4-5-trillion-transformation-opportunity/

https://blogs.partner.microsoft.com/mpn/turn-great-idea-next-big-thing/

https://news.microsoft.com/exec/satya-nadella/

https://www.theregister.co.uk/2015/06/26/satya_nadella_microsoft_mission_statement/

https://www.microsoft.com/investor/reports/ar16/index.html

https://techcrunch.com/2017/07/20/microsoft-earnings-beat-expectations-thanks-to-strong-cloud-performance

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Mais do que conversinha de elevador

elevador

Nestes tempos de redes sociais, a conversinha de elevador sumiu. Nem ascensoristas existem mais para dar “bom dia”. Ficamos envolvidos em nosso mundinho, olhando o celular, fazendo questão de parecermos ocupados ou entretidos, torcendo para que o andar chegue logo. São segundos que duram uma eternidade.

Até a chegada dos smartphones, esse tempo era preenchido com frases do tipo “Será que hoje chove?”, “E que frio está hoje, né?” e por aí vai… Conversas superficiais. Conversas descartáveis.

Mas hoje piorou: o mundo acontece ao nosso redor, mas ficamos mais atentos às redes sociais. A timeline é mais interessante do que a pessoa do lado. Corpo presente, mas pensamento longe.

E quando estamos em um evento social e somos “forçados” a puxar uma conversa? Sempre começa com “Qual é seu nome?”, “De onde você é?”, “Onde estuda?” “Onde trabalha?”, “O que faz?” etc.

Parece um roteiro. É previsível. É chato. É constrangedor.

São perguntas superficiais e que só servem para preencher o tempo da interação social. Não criam conexões entre as pessoas, não revelam sentimentos, não prendem a atenção do interlocutor, não geram histórias para contar, não geram aprendizado. São chamadas de “Small talks”.

E se aproveitássemos esse momento para fazer algo diferente?

Será que é possível transformar esse momento constrangedor em algo interessante? Algo significativo? Em algo que nos permita(ou nos possibilite) aprender uma coisa nova?

Essa é a proposta do meu amigo Omid Scheybani.

Omid Scheybani

Ele foi convidado a participar de um experimento social com pessoas que ele nunca tinha visto antes. Tampouco conhecia o anfitrião e a motivação deste encontro. Entretanto, todos participantes foram encorajados a conhecer uns aos outros seguindo uma única regra: não era  permitido fazer perguntas ou discutir assuntos cujas respostas poderiam ser descobertas através do perfil do Facebook.

Para facilitar a interação, o organizador distribuiu alguns cartões com perguntas do tipo:

  • Quando foi a última vez que você fez algo pela primeira vez?
  • O que você fez de destaque e do  (e de que tenha se orgulhado) que se orgulhou na última semana?
  • Qual é a qualidade que você mais admira em sua mãe?
  • Qual é a cicatriz que tem a história mais interessante para contar?

Segundo Omid, foi uma das experiências mais non-sense de que participou  mas algo chamou atenção: no final da noite, ele tinha conversado sobre valores de família, detalhes da infância, motivações que nos fazem levantar da cama todos os dias, relacionamento com os pais, coisas que dão medo e por aí vai… Mesmo sem perguntar onde estas pessoas trabalham ou o que elas fazem para ganhar a vida, ele conheceu seus maiores arrependimentos, seus valores e suas histórias.

Uma simples regra de comunicação foi capaz de criar conexões fortes entre os participantes e os fizeram compartilhar suas histórias mais íntimas com pessoas com as quais provavelmente eles nunca mais terão a oportunidade de encontrar novamente. E isso o fez refletir:quantas vezes temos a oportunidade de conhecer uma pessoa nova em nossas vidas?

O que Scheybani não sabia é que ele tinha participado de um experimento que foi publicado no Journal of Psychological Science. O resultado dessa pesquisa revelou que conversas mais profundas podem aumentar o nível de felicidade e de bem-estar. Não necessariamente pelo conteúdo da conversa em si, mas porque este tipo de conversa nos ajuda a encontrar mais significado e importância em nossas próprias vidas – o relato dele você lê aqui.

Como parar com este hábito de “small talk” e começar a ter conversas mais profundas?

Omid diz para você ter em mente que há 7 bilhões de pessoas no mundo e que cada pessoa tem uma história única e extraordinária para compartilhar. Os sonhos que perseguimos são diferentes, os desafios que temos são diferentes e as memórias que carregamos em nossos corações são diferentes. Isso faz com que tenhamos 7 bilhões de lições de vida, sabedoria e experiência.

Quando você encontrar alguém pela primeira vez na vida, procure se interessar pela pessoa, pela  sua história de vida. Tente aprender algo novo.

Experimente se interessar genuinamente pelas pessoas.

Não necessariamente por seu título, seu currículo, suas realizações ou seu status, mas pelas suas histórias.

Então, da próxima vez que você disser: “Oi, meu nome é …”, não se esqueça de que você está diante de uma oportunidade de aprender algo novo e de criar uma conexão com esta pessoa.

Ele ainda fez uma lista com 50 perguntas que podem nos ajudar a ter conversas mais profundas: http://www.omidscheybani.com/thepositude/2015/9/3/50-smarttalk-questions-ready-to-use

Assista a palestra dele no TedX em Kish, no Iran

Conheci Omid há dois anos em uma negociação comercial entre nossas empresas. Lembro-me de que as conversas foram mais agradáveis do que aqueles tradicionais quebra-gelo.

Nenhuma pergunta foi trivial ou superficial, depois descobri que foi tudo premeditado!

A verdadeira história  da palestra de Omid no TEDxKish é incrível. Ele foi convidado, rejeitou, achou que não estava pronto, quase não chegou a tempo, mas mesmo assim palestrou: https://www.linkedin.com/pulse/how-i-got-invited-speak-ted-rejected-did-anyway-omid-scheybani?trk=mp-reader-card

 

 

 

 

 

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