agosto 2016 archive

Mais do que conversinha de elevador

elevador

Nestes tempos de redes sociais, a conversinha de elevador sumiu. Nem ascensoristas existem mais para dar “bom dia”. Ficamos envolvidos em nosso mundinho, olhando o celular, fazendo questão de parecermos ocupados ou entretidos, torcendo para que o andar chegue logo. São segundos que duram uma eternidade.

Até a chegada dos smartphones, esse tempo era preenchido com frases do tipo “Será que hoje chove?”, “E que frio está hoje, né?” e por aí vai… Conversas superficiais. Conversas descartáveis.

Mas hoje piorou: o mundo acontece ao nosso redor, mas ficamos mais atentos às redes sociais. A timeline é mais interessante do que a pessoa do lado. Corpo presente, mas pensamento longe.

E quando estamos em um evento social e somos “forçados” a puxar uma conversa? Sempre começa com “Qual é seu nome?”, “De onde você é?”, “Onde estuda?” “Onde trabalha?”, “O que faz?” etc.

Parece um roteiro. É previsível. É chato. É constrangedor.

São perguntas superficiais e que só servem para preencher o tempo da interação social. Não criam conexões entre as pessoas, não revelam sentimentos, não prendem a atenção do interlocutor, não geram histórias para contar, não geram aprendizado. São chamadas de “Small talks”.

E se aproveitássemos esse momento para fazer algo diferente?

Será que é possível transformar esse momento constrangedor em algo interessante? Algo significativo? Em algo que nos permita(ou nos possibilite) aprender uma coisa nova?

Essa é a proposta do meu amigo Omid Scheybani.

Omid Scheybani

Ele foi convidado a participar de um experimento social com pessoas que ele nunca tinha visto antes. Tampouco conhecia o anfitrião e a motivação deste encontro. Entretanto, todos participantes foram encorajados a conhecer uns aos outros seguindo uma única regra: não era  permitido fazer perguntas ou discutir assuntos cujas respostas poderiam ser descobertas através do perfil do Facebook.

Para facilitar a interação, o organizador distribuiu alguns cartões com perguntas do tipo:

  • Quando foi a última vez que você fez algo pela primeira vez?
  • O que você fez de destaque e do  (e de que tenha se orgulhado) que se orgulhou na última semana?
  • Qual é a qualidade que você mais admira em sua mãe?
  • Qual é a cicatriz que tem a história mais interessante para contar?

Segundo Omid, foi uma das experiências mais non-sense de que participou  mas algo chamou atenção: no final da noite, ele tinha conversado sobre valores de família, detalhes da infância, motivações que nos fazem levantar da cama todos os dias, relacionamento com os pais, coisas que dão medo e por aí vai… Mesmo sem perguntar onde estas pessoas trabalham ou o que elas fazem para ganhar a vida, ele conheceu seus maiores arrependimentos, seus valores e suas histórias.

Uma simples regra de comunicação foi capaz de criar conexões fortes entre os participantes e os fizeram compartilhar suas histórias mais íntimas com pessoas com as quais provavelmente eles nunca mais terão a oportunidade de encontrar novamente. E isso o fez refletir:quantas vezes temos a oportunidade de conhecer uma pessoa nova em nossas vidas?

O que Scheybani não sabia é que ele tinha participado de um experimento que foi publicado no Journal of Psychological Science. O resultado dessa pesquisa revelou que conversas mais profundas podem aumentar o nível de felicidade e de bem-estar. Não necessariamente pelo conteúdo da conversa em si, mas porque este tipo de conversa nos ajuda a encontrar mais significado e importância em nossas próprias vidas – o relato dele você lê aqui.

Como parar com este hábito de “small talk” e começar a ter conversas mais profundas?

Omid diz para você ter em mente que há 7 bilhões de pessoas no mundo e que cada pessoa tem uma história única e extraordinária para compartilhar. Os sonhos que perseguimos são diferentes, os desafios que temos são diferentes e as memórias que carregamos em nossos corações são diferentes. Isso faz com que tenhamos 7 bilhões de lições de vida, sabedoria e experiência.

Quando você encontrar alguém pela primeira vez na vida, procure se interessar pela pessoa, pela  sua história de vida. Tente aprender algo novo.

Experimente se interessar genuinamente pelas pessoas.

Não necessariamente por seu título, seu currículo, suas realizações ou seu status, mas pelas suas histórias.

Então, da próxima vez que você disser: “Oi, meu nome é …”, não se esqueça de que você está diante de uma oportunidade de aprender algo novo e de criar uma conexão com esta pessoa.

Ele ainda fez uma lista com 50 perguntas que podem nos ajudar a ter conversas mais profundas: http://www.omidscheybani.com/thepositude/2015/9/3/50-smarttalk-questions-ready-to-use

Assista a palestra dele no TedX em Kish, no Iran

Conheci Omid há dois anos em uma negociação comercial entre nossas empresas. Lembro-me de que as conversas foram mais agradáveis do que aqueles tradicionais quebra-gelo.

Nenhuma pergunta foi trivial ou superficial, depois descobri que foi tudo premeditado!

A verdadeira história  da palestra de Omid no TEDxKish é incrível. Ele foi convidado, rejeitou, achou que não estava pronto, quase não chegou a tempo, mas mesmo assim palestrou: https://www.linkedin.com/pulse/how-i-got-invited-speak-ted-rejected-did-anyway-omid-scheybani?trk=mp-reader-card