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Mais do que conversinha de elevador

elevador

Nestes tempos de redes sociais, a conversinha de elevador sumiu. Nem ascensoristas existem mais para dar “bom dia”. Ficamos envolvidos em nosso mundinho, olhando o celular, fazendo questão de parecermos ocupados ou entretidos, torcendo para que o andar chegue logo. São segundos que duram uma eternidade.

Até a chegada dos smartphones, esse tempo era preenchido com frases do tipo “Será que hoje chove?”, “E que frio está hoje, né?” e por aí vai… Conversas superficiais. Conversas descartáveis.

Mas hoje piorou: o mundo acontece ao nosso redor, mas ficamos mais atentos às redes sociais. A timeline é mais interessante do que a pessoa do lado. Corpo presente, mas pensamento longe.

E quando estamos em um evento social e somos “forçados” a puxar uma conversa? Sempre começa com “Qual é seu nome?”, “De onde você é?”, “Onde estuda?” “Onde trabalha?”, “O que faz?” etc.

Parece um roteiro. É previsível. É chato. É constrangedor.

São perguntas superficiais e que só servem para preencher o tempo da interação social. Não criam conexões entre as pessoas, não revelam sentimentos, não prendem a atenção do interlocutor, não geram histórias para contar, não geram aprendizado. São chamadas de “Small talks”.

E se aproveitássemos esse momento para fazer algo diferente?

Será que é possível transformar esse momento constrangedor em algo interessante? Algo significativo? Em algo que nos permita(ou nos possibilite) aprender uma coisa nova?

Essa é a proposta do meu amigo Omid Scheybani.

Omid Scheybani

Ele foi convidado a participar de um experimento social com pessoas que ele nunca tinha visto antes. Tampouco conhecia o anfitrião e a motivação deste encontro. Entretanto, todos participantes foram encorajados a conhecer uns aos outros seguindo uma única regra: não era  permitido fazer perguntas ou discutir assuntos cujas respostas poderiam ser descobertas através do perfil do Facebook.

Para facilitar a interação, o organizador distribuiu alguns cartões com perguntas do tipo:

  • Quando foi a última vez que você fez algo pela primeira vez?
  • O que você fez de destaque e do  (e de que tenha se orgulhado) que se orgulhou na última semana?
  • Qual é a qualidade que você mais admira em sua mãe?
  • Qual é a cicatriz que tem a história mais interessante para contar?

Segundo Omid, foi uma das experiências mais non-sense de que participou  mas algo chamou atenção: no final da noite, ele tinha conversado sobre valores de família, detalhes da infância, motivações que nos fazem levantar da cama todos os dias, relacionamento com os pais, coisas que dão medo e por aí vai… Mesmo sem perguntar onde estas pessoas trabalham ou o que elas fazem para ganhar a vida, ele conheceu seus maiores arrependimentos, seus valores e suas histórias.

Uma simples regra de comunicação foi capaz de criar conexões fortes entre os participantes e os fizeram compartilhar suas histórias mais íntimas com pessoas com as quais provavelmente eles nunca mais terão a oportunidade de encontrar novamente. E isso o fez refletir:quantas vezes temos a oportunidade de conhecer uma pessoa nova em nossas vidas?

O que Scheybani não sabia é que ele tinha participado de um experimento que foi publicado no Journal of Psychological Science. O resultado dessa pesquisa revelou que conversas mais profundas podem aumentar o nível de felicidade e de bem-estar. Não necessariamente pelo conteúdo da conversa em si, mas porque este tipo de conversa nos ajuda a encontrar mais significado e importância em nossas próprias vidas – o relato dele você lê aqui.

Como parar com este hábito de “small talk” e começar a ter conversas mais profundas?

Omid diz para você ter em mente que há 7 bilhões de pessoas no mundo e que cada pessoa tem uma história única e extraordinária para compartilhar. Os sonhos que perseguimos são diferentes, os desafios que temos são diferentes e as memórias que carregamos em nossos corações são diferentes. Isso faz com que tenhamos 7 bilhões de lições de vida, sabedoria e experiência.

Quando você encontrar alguém pela primeira vez na vida, procure se interessar pela pessoa, pela  sua história de vida. Tente aprender algo novo.

Experimente se interessar genuinamente pelas pessoas.

Não necessariamente por seu título, seu currículo, suas realizações ou seu status, mas pelas suas histórias.

Então, da próxima vez que você disser: “Oi, meu nome é …”, não se esqueça de que você está diante de uma oportunidade de aprender algo novo e de criar uma conexão com esta pessoa.

Ele ainda fez uma lista com 50 perguntas que podem nos ajudar a ter conversas mais profundas: http://www.omidscheybani.com/thepositude/2015/9/3/50-smarttalk-questions-ready-to-use

Assista a palestra dele no TedX em Kish, no Iran

Conheci Omid há dois anos em uma negociação comercial entre nossas empresas. Lembro-me de que as conversas foram mais agradáveis do que aqueles tradicionais quebra-gelo.

Nenhuma pergunta foi trivial ou superficial, depois descobri que foi tudo premeditado!

A verdadeira história  da palestra de Omid no TEDxKish é incrível. Ele foi convidado, rejeitou, achou que não estava pronto, quase não chegou a tempo, mas mesmo assim palestrou: https://www.linkedin.com/pulse/how-i-got-invited-speak-ted-rejected-did-anyway-omid-scheybani?trk=mp-reader-card

 

 

 

 

 

Como o TED me fez plantar árvores

TED

Gosto de assistir aulas e palestras quando são bem ministradas – e rápidas. Para quem gosta de ler e estudar sobre técnicas de apresentação, já deve ter escutado ou assistido as palestras do TED. E neste post vou falar sobre o TED, técnicas de apresentação, livros sobre o tema e como tudo isso misturado me fizeram plantar árvores. Sim, plantar árvores!

O TED (Technology, Entertainment, Design) é uma série de conferências e palestras destinadas à disseminação de ideias, sem fins lucrativos e são realizadas ao redor do mundo pela Fundação Sapling. Com slogan “ideias que merecem ser disseminadas”, os encontros iniciaram em 1984 no Vale do Silício, mas só em 1990 virou conferência global.

chris andersonDe lá para cá o TED ganhou muita popularidade e foi impulsionada quando Chris Anderson assumiu o evento, em 2001 – até hoje ele é curador e apresentador do evento. A popularização foi tanta, que hoje em dia é comum encontrar vídeos do TED no Netflix e nas TVs de canal pago.

Desde então diversos Prêmios Nobel e pessoas influentes tem palestrado: Bill Gates, Al Gore, Richard Dawkins, Philippe Starck, Gordon Brown e assim por diante. Em 2009 o TED criou o TEDx, programa de eventos locais, organizados de forma independente, que reúne pessoas para dividir uma experiência nos moldes do TED. No Brasil já foram realizados centenas de eventos TEDx. As palestras ganharam tanta notoriedade que, com mais de vinte mil voluntários, traduziram as palestras para 112 línguas diferentes.

Para assistir ao TED Global, o candidato precisa se inscrever no site e preencher um extenso formulário com perguntas do tipo:

  • Quais foram suas maiores conquistas?
  • O que lhe dá paixão?

E assim por diante. São selecionadas apenas pessoas que podem contribuir de alguma forma com a comunidade, por meio de seu networking, influência e energia. Depois de todo esse “processo seletivo”, o candidato tem que desembolsar quase US$8.000. Existe um “atalho” para participar do evento pagando a módica quantia de US$17.000 – ou US$150.000 – para entrar no grupo de doadores ou “patronos” do evento – mesmo assim há um processo seletivo. Estes valores se referem ao evento de 2016, realizado em Vancouver/Canadá, e o tema foi “Dream”.

TED 2016 - "Dream"

TED 2016 – “Dream”

Há uma parcela de convites reservadas – de graça – para jovens talentos e pessoas influentes em países em desenvolvimento. Além disso, existem cotas de patrocínio para algumas empresas terem acesso aos formadores de opinião presentes nos eventos.

Chris Anderson é um gênio! Segundo suas próprias palavras:

Pegamos dinheiro de alguns ricos da Califórnia e gastamos com ideias no mundo inteiro.

Apesar da frase acima ter sido dita em tom de brincadeira, Chris conseguiu fazer um modelo de negócio extremamente lucrativo. Já deve ter ultrapassado a marca dos US$50 milhões arrecadados por ano (em 2012 foi US$ 44,1 milhões). E o TED pertence à empresa Sapling Foundation, uma fundação privada sem fins lucrativos. E isso…evidentemente, é motivo de muita crítica.

Isso até gerou a necessidade do TED criar uma página sobre isso. Mas quero dar foco neste texto às apresentações – mais especificamente: às técnicas de apresentação. Já foi tema desse blog dois posts sobre técnicas de apresentação: um sobre Steve Jobs e outro sobre a empresa brasileira SOAP, especializada em apresentações profissionais.

As “talks” (como são chamadas as palestras) são limitadas a dezoito minutos – ou menos. Todo palestrante tem domínio sobre o tema e treina exaustivamente a fala, para que a apresentação seja perfeita. E todas palestras do TED são perfeitas!

As técnicas usadas no TED são tão famosas e discutidas no meio, que começaram a aparecer diversos especialistas no assunto e até livros sobre o tema. E aqui gostaria de citar três exemplos:

Chris Anderson: o próprio “chefe” do TED lançou um guia oficial de como falar em público. Segundo o autor, o conteúdo do livro ensina a criar falas curtas que mostre empatia, entusiasmo e espalhe conhecimento, para compartilhar sonhos.

Camine Gallo: escritor, jornalista e famoso coach de comunicação nos EUA. Em seu novo livro “Talk Like TED”, o autor desconstrói as estratégias e técnicas utilizadas pelos palestrantes mais populares do evento, revelando nove segredos dessas apresentações e cria um passo-a-passo de como montar uma apresentação que seja envolvente, persuasiva e memorável.

O mesmo autor fez a desconstrução das palestras do Steve Jobs, no livro “The Presentation Secrets of Steve Jobs – How to Be Insanely Great in Front of Any Audience” – este livro já foi tema deste blog.

Nancy Duarte: escritora e CEO da Duarte Design ela é referência no Vale do Silício na preparação dos “pitch” das startups para investidores. Seu livro “slide:ology: The Art and Science of Creating Great Presentations” é um dos mais famosos sobre o tema (ela é referenciada no livro da SOAP, por exemplo) e tem uma palestra “revelando” a estrutura de grandes falas no TED.

Existem dezenas de vídeos sobre o tema no próprio site do TED, que listo no final deste post, mas gostaria de destacar duas.

São as mais engraçadas e sem conteúdo algum que tratam exclusivamente das técnicas:

Como parecer inteligente nas palestras do TEDx

 

Mentiras, malditas mentiras e estatísticas

 

Quando estudava sobre o tema, lendo os textos da Nancy Duarte, descobri que ela ajudou Al Gore no documentário “An Inconvenient Truth”. Sempre tive preguiça para assistir esse documentário, mas resolvi dar uma chance se – e somente se – o documentário fosse realmente uma palestra e não um filme como qualquer outro documentário.

 

aninconvenienttruthposter

E realmente era uma palestra! Fiquei impressionando com o domínio das técnicas utilizadas pelo palestrante durante todo documentário. Uma aula de técnicas do começou ao fim. Duas coisas me chamaram atenção:

Treino

Al Gore ministrou a mesma palestra mais de mil vezes. Isso que é treino heim?! Os livros citados acima reforçam a necessidade de treinar e ensaiar exaustivamente a palestra. Mas quanto de nós treinamos para valer? Tipo: mil vezes??!! É um número impressionante. Isso remete ao texto de Malcolm Gladwell, que defende a tese de que sorte só e Sorte, com S maiúsculo, se for combinada com muito suor e trabalho árduo – ele até diz que são necessárias 10.000 horas de trabalho para a “sorte” te fazer uma pessoa notável. E Al Gore é uma pessoa notável.

Conteúdo

Sim, o conteúdo do documentário é muito bom. A forma como Gore apresentou fez toda diferença. Nos livros citados acima, os autores reforçam a necessidade de ter uma história para contar. Ou seja, ter um bom conteúdo. E o que Al Gore apresentou é uma história tão relevante e tão importante que é impossível ficar incólume ao documentário.

Não sabia que antes de ser vice-presidente dos EUA e concorrer ao cargo máximo daquele país, Al Gore era ativista e brigava há anos, no congresso, para emplacar leis de proteção ambiental e redução das emissões de poluentes, afim de reduzir a acelerada taxa de aquecimento global.

E advinha o que aconteceu?

No final de semana seguinte plantei 20 árvores frutíferas! Laranja, mexerica, limão, manga, abacate e por aí vai.

Isso não vai fazer diferença no mundo, mas fez diferença para mim.

Além de ser uma boa história para contar, acho que me tornei mais consciente ecologicamente falando. Comecei a valorizar e contribuir com a coleta seletiva e a compostagem realizada no condomínio em que moro. Pequenas ações como esta, se realizadas por todo mundo, podem fazer diferença.

Plantando árvores jr02

árvores plantadas

Fico me imaginando velhinho, com meus setenta e tantos anos de idade, contando estas histórias para meus netos e bisnetos, comendo frutas aos pés das árvores que ajudei a plantar.

E o mais legal foi contar com a ajuda do meu tio Antônio, Tina e Claudia. Parceiros desde sempre! Cheers!

Junior e Antônio

E você, já plantou uma árvore em sua vida?


 

Aqui vai uma lista de palestras e dicas do próprio TED, sobre como melhorar sua fala em público:

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Palestrando como Steve Jobs

Além da presença de palco e do produto inovador, Steve Jobs usava a abusava de técnicas de apresentação.

Um dos melhores livros sobre este assunto é o “The Presentation Secrets of Steve Jobs – How to Be Insanely Great in Front of Any Audience” de Carmine Gallo.

Neste livro, Gallo desconstrói toda a estratégia e técnicas utilizadas por Jobs em suas apresentações. O mais bacana é que ele mostra slide a slide o texto que aparece na tela, com o que Jobs diz e qual mensagem está por trás. Tudo isso permeado de exemplos de como ele utilizava palavras, adjetivos, pausas dramáticas, postura no palco e gestos.

É uma leitura fascinante e vai mudar a forma de você enxergar as apresentações e – quem sabe – mudar a forma de dar palestras. É impossível ler os capítulos e não xeretar os vídeos de Jobs no Youtube.

Na primeira sessão do livro, chamado “Criar uma história”, Gallo cita algumas técnicas recorrentes utilizadas por Jobs para introduzir um assunto.

Ele começa falando sobre a necessidade de criar um sentido messânico de propósito. Isso significa ter uma história para contar. Uma história que realmente importe, com senso de propósito, e que você transmita com paixão e emoção.

Aqui a analogia é com a frase dita por Jobs para convencer John Scully, à época presidente da Pepsi, a se juntar à Apple –  uma empresa ainda se aventurando no mundo da informática:

Do you want to spend the rest of your life selling sugared water or do you want a chance to change the world? – Steve Jobs

Isso que é sentido messânico não?!

Outra técnica é criar frases de efeito (taglines) que sejam sucintos em forma de Twitter. Veja alguns exemplos:

  • MacBook Air. The world’s thinnest notebook.
  • iPod: One thousand songs in your pocket.
  • Today Apple is going to reinvent the phone.

Na sequência vem uma das regras mais bacanas: regra do “3”.

O número “3” é um dos números mais poderosos da comunicação, pois uma lista de 3 coisas é mais intrigante do que 2 e muito mais fácil de lembrar do que 8, por exemplo.

Aqui o melhor exemplo é o keynote no iPhone: iPod + telefone + Internet.

Ele ainda disse: “Hoje nós estamos introduzindo três produtos revolucionários. O primeiro, um iPod widescreen com controles sensíveis ao toque. O segundo, é um revolucionário telefone celular. E o terceiro é um avanço na navegação web usando um dispositivo móvel”. O público aplaudiu e assobiou. Jobs aproveitou este momento e repetiu diversas vezes “três produtos”, enfatizando o que estava por vir…

3 produtos

3 produtos inovadores

E finalmente ele completou: “Você se ligaram? Estes não são três produtos separados….eles são um único dispositivo e nós estamos chamamos de iPhone!”

iPhone

Apresentação do iPhone

O público veio abaixo!!! Momento épico.

Próxima técnica: introduza um vilão!

Sim, é importante criar um antogonista. Todas grandes histórias tem um vilão e um herói. Na apresentação do iPhone, Jobs criou uma narrativa em que os celulares da época “não são inteligentes e não são fáceis de usar. Os smartphones são um pouco mais inteligentes mas são super difíceis de usar”. Durante essa frase ele mostrou alguns exemplos de celulares populares à época – quando se colocava teclado QWERTY intercalado com os atalhos de celular (mensagens, atender, desligar etc). Um horror!

Smartphones mais avançados à epoca do lançamento do iPhone

Smartphones mais avançados à epoca do lançamento do iPhone

O uso de um vilão é clássico nas palestras de Jobs, pois permite apresentar um problema e, na sequência, uma solução. Usar um antagonista é uma técnica incrível para storytelling. E a solução para o problema/vilão é vendido como como benefício, diferencial e como a melhor opção disponível.

E aqui vem mais uma técnica de Jobs: ao vender o benefício, ele usa adjetivos que expressa emoção, paixão e admiração. Na apresentação do iPhone, quando falou da tela sensível ao toque, como solução para o problema das interfaces existentes, ele disse “It works like magic“.

Magic, amazing, beautiful, unbelieve, cool, awesome etc…são palavras muito usadas em suas palestras. Neste ponto ele eleva o nível da apresentação de uma simples demostração para algo mágico, inovador e que qualquer um desembolsaria centenas de dólares só para ter aquela experiência mágica.

As – ótimas – propagandas da série “I’m a Mac. I’m a PC.” exploram muito este conceito. Vale a pena assistir. São sensacionais!

No 2º ato do livro (as sessões são chamadas de ato, como em uma peça de teatro), entitulado de “Deliver the experience”, o autor detalha como Steve transforma uma apresentação em uma experiência.

Jobs cria uma forte ligação emocional com a platéia, usando técnicas de apresentação.

A primeira técnica – e uma das mais difíceis – apresentada nesta sessão do livro é a simplicidade. Carmine Gallo transcreve as falas de Jobs e mostra o texto exibido no slide.

As falas eloquentes “concorrem” com slides com 1 ou 2 palavras. Em alguns casos, só tinha uma imagem. Para exemplificar isso, Gallo apresenta 2 slides: um slide com especificações técnicas do Macbook Air que normalmente qualquer um de nós faríamos e um outro de como Jobs apresentou o produto.

jobs

Isso me fez lembrar o divertido vídeo de como seria a caixa do iPod se este produto fosse criado pela Microsoft. É hilário!

A próxima técnica é “vestir” os números para embasar sua apresentação.

O vestir aqui significa tangibilizar! A primeira geração de iPod tinha 5Gb de espaço, mas o que significa esse número?  Na época existiam outros tocadores MP3 com mais espaço – e mais botões – do que o iPod, mas era “só” o iPod que dizia “1,000 songs in your pocket“.

Fantástico! Jobs sabia fazer os números ficarem atraentes. Ele dava significado aos números.

O livro mostra uma série de exemplos em que, ao invés do número pelo número, Jobs fazia comparações e analogias. O tamanho e a espessura do iPod, por exemplo, foram comparados a uma caneta.

Olhe novamente a imagem acima do Macbook Air. Cabe em um envelope, certo? Tudo isso é proposital! Mais do que falar em termos de polegadas, Jobs resume a especificação em “do tamanho de um envelope”, sem dizer uma palavra. Genial!

Veja os lançamentos mais recentes de iPhones: sempre tem um “duas vezes mais rápido”, “dura três vezes mais”, “cabe o dobro de fotos” e assim por diante.

Gallo cita o estudo que Todd Bishop fez comparando as palestras de Jobs e Bill Gates, usando um software chamado UsingEnglish, que analisa a média de palavras por frase, a densidade lexical, tamanho das palavras em número de sílabas e “fog index” – que é o número de anos de educação, em teoria, que um leitor/ouvinte precisa ter para entender o texto.

Resultado: Jobs sabe se comunicar e se expressar bem melhor que Gates. Os discursos de Jobs são simples, diretos e emocionais.

Gallo cita uma frase antológica de Jack Welch quando estava à frente da GE:

Insecure managers create complexity – Jack Welch

Esta sessão do livro ainda aborda a necessidade de abrir espaço no palco para convidados falarem e diz que Jobs atuava como maestro de um grande show, convidando pessoas como o CEO da Intel Paul Otellini e o CEO da Cingular/AT&T Stan Sigman (aliás, péssima participação que lhe rendeu o título de “Who’s Mr. Notecard?”).

As demostrações (demo) merecem um capítulo só para elas e Gallo cita o livro “The Macintosh Way” de Guy Kawasaki, em que defende a tese “A demostração certa não custa muito”. Segundo Kawasaki, uma grande demostração informa o público sobre o produto, comunica os benefícios e inspira a audiência a tomar uma atitude. Para fazer isso, é importante seguir as cinco regras de uma demo ao vivo: curta, simples, harmoniosa, rápida e substancial (importante).

Para fechar o 2º ato do livro, não poderia faltar o “One more thing“, chamado por Gallo de “Revel a Holy Shit Moment”, em que Jobs, depois de ter encantado a platéia, faz uma pausa dramática e apresenta mais uma surpresa. Tudo isso planejado e ensaiado para que pareca natural. Em suas últimas apresentações, ao falar “One more thing” a platéia já ria e aplaudia enlouquecidamente. Assista o compilado de “One more thing” de Steve Jobs.

Para fechar o livro, o 3º ato é entitulado “Refinar e ensaiar’.

Assim como no citado no livro da SOAP (agência brasileira especializada em apresentações profissionais), Carmine Gallo dedica uma sessão inteira do livro para falar sobre linguagem corporal (contato visual, postura aberta e gestos das mãos) e sobre a fala (velocidade, entonação, pausas etc).

O mais bacana do livro é que o autor decupa a fala de Jobs e descreve quais são os gestos usados por ele. Veja um trecho:

jobs2

De forma análoga, para cada frase dita por Jobs, o autor diz como aumenta o volume da voz, faz pausa ou acelera a fala.

Ler o livro e assistir os Keynotes de Steve Jobs no Youtube é uma aula e tanto.

Postura corporal e a forma de falar devem ser treinados exaustivamente para que um “script” soe como uma conversa natural.  O autor diz que conhece poucas pessoas os que treinam mais que Jobs. E não são apenas horas e horas de ensaio. São horas e horas, por dias e mais dias até que se torne natural. Gallo cita uma frase famosa de Gladwell, em que diz que só a prática te torna bom em algo – Malcolm Gladwell foi tema deste blog no texto “Sorte e muito suor: receita do sucesso“.

Practice isn’t the thing you do once you’re good. It’s the thing you do that makes you good. – Malcolm Gladwell

Steve Jobs praticava e treinava muito a ponto do script “desaparecer”, fazendo com que sua conversa (o autor deixa de falar palestra ou keynote) com a platéia seja tão natural e fluída, que permite Jobs improvisar falas e textos fazendo com que nunca leia as palavra apresentadas no slides – erro muito frequente nos palestrantes “normais”.

Por fim, o autor afirma: se você fizer tudo direito (roteiro e visual) e treinar muito, mas muito mesmo….você vai se divertir!

Have fun! – Carmine Gallo

E Gallo fecha o livro dizendo que por mais de três décadas Jobs lançou seu feitiço sobre a mundo. Não importa se você gosta de “MAC” ou “PC”. Nossa geração tem uma dívida de gratidão por ter tido a chance de ser contemporâneo de Jobs e ter presenciado a revolução que ele promoveu em 3 indústrias: tecnologia, entretenimento e telefonia.

Como diz o autor:

(…) gratitude for a chance to join him on his ‘magic swirling ship‘* (…) – Carmine Gallo

* Trecho da música Mr Tambourine Man – Bob Dylan (músico favorito de Jobs).


The Presentation Secrets of Steve Jobs

The Presentation Secrets of Steve Jobs

Faça como Steve Jobs: E Realize Apresentações Incríveis em Qualquer Situação – Carmine Gallo

O método das apresentações de Steve Jobs é analisado neste livro por meio da estrutura de suas palestras. Em ‘Faça como Steve Jobs’, Carmine Gallo esclarece o magnetismo desse líder, destrinchando cada momento de suas apresentações em técnicas aplicáveis.

Compre o livro “The Presentation Secrets of Steve Jobs” na Saraiva.