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Instagram: uma maneira de compartilhar sua vida

O clique de 1 bilhão de dólares

O Instagram é um aplicativo de celular que cria um álbum de imagens da história do nosso tempo.

O termo é uma junção de “insta” de instant (tipo de câmeras vintage popularizada pela Polaroid) e o “gram” de telegrama. O APP foi comprado pelo Facebook por US$ 1 bilhão, em abril de 2012, e foi a primeira startup a chegar à casa do bilhão de dólares.

Camera Instant

A história por trás do APP é contada pelo jornalista Filipe Vilicic no livro “O clique de 1 bilhão de dólares” da Editora Intrínseca. Filipe organizou o livro de uma maneira muito inteligente, como numa contagem regressiva para a compra do aplicativo, e seu texto é fluido e muito bem escrito. Fruto de uma intensa pesquisa da história da empresa, descreve com riqueza de detalhes o ambiente competitivo, frenético e machista do Vale do Silício.

Mike Krieger

Mike Krieger

O personagem principal do livro é Michel Krieger, o Mike, aluno de uma escola internacional de São Paulo.

Sim! O Instagram também foi criado por um brasileiro.

Ele ingressou na Universidade de Stanford no curso de Symbolic Systems, que agrega disciplinas como psicologia, computação, linguística, filosofia e inteligência artificial. Esse curso tem como objetivo moldar empreendedores.

Outras duas personalidades cursaram esse mesmo curso e já foram temas nesse blog: Marissa Mayer e Elon Musk.

Não bastava Mike ter nascido em uma família abastada com uma série de oportunidades. Ele trabalhou muito e se destacou em todos os lugares pelos quais passou para atingir tal sucesso – e isso é tão importante quanto a “sorte”. Falei disso no post “Sorte e muito suor: receita do sucesso”.

Não basta você se chamar de empreendedor. Os outros têm de te chamar assim para você realmente virar um.

O que chama atenção é a quantidade de pessoas influentes e importantes do Vale que interagiram com os fundadores da empresa e são citados no livro. E aqui estou falando de Julio Vasconcellos – do Peixe Urbano, Isabel Pesce – a Bel do livro “A menina do Vale”, Jack Dorsey – o polêmico CEO do Twitter e do Square, a dupla famosa de investidores da Andreessen Horowitz, Mark Zuckerberg – CEO do Facebook etc.

Depois de ler tantos livros sobre startups e Internet, dá impressão que o Vale do Silício é pequeno, todo mundo se conhece e se tromba por lá. E deve ser mesmo!

A história é bem bacana e farei um breve resumo aqui…

Mike Krieger e Kevin Systrom deixaram passar diversas oportunidades de trabalhar no Google, Facebook, Twitter e até no Peixe Urbano.  Eles também “perderam” as oportunidades de ficarem milionários já que logo depois essas empresas fizeram IPO deixando os primeiros funcionários ricos. Focaram nos estudos e em trabalhos “temporários” durante a graduação: o primeiro foi programador no Meebo enquanto o segundo trabalhava em uma cafeteria.

Depois de alguns meses decidiram criar a startup Burbn – algo parecido com o Foursquare para fazer check-ins virtuais e avaliar os locais, com opção de enviar fotos e comentários sobre o lugar.

Aproveitando o boom dos serviços geolocalizados, o site chegou a receber investimento da Andreessen Horowitz, que foi noticiado pela TechCrunch como “(…)Back Stealthy Location Startup.” – uma espécie de spoiler no mundo das startups, dizendo que tinha gente grande (venture capital) investindo em serviços geolocalizados com fotos.

O problema é que esse site era confuso e não foi desenvolvido para celular.

Em uma viagem de final de semana, a namorada de Kevin sugeriu a utilização de efeitos especiais para deixar as imagens mais bonitas. Bingo! E assim surgiram os filtros. O autor do livro chama esse momento de “Eureka” dos dois aspirantes a milionários.

Como Mike e Kevin tinham experiência com imagens e fotografia (o primeiro sabia editar imagens e vídeos e o segundo fizera um curso de fotografia na Itália com uma instant), resolveram “pivotar” o produto, focando no que é mais importante e elementar: imagem e filtros. Pivotar, na linguagem das startups, significa uma mudança radical no rumo do negócio.

Sobrou pouco do Burnbn: o feed (fotos dos meus amigos), os elementos básicos de rede social (comentários e curtir), trending topics (fotos mais curtidas), o perfil do usuário, a câmera e os preciosos filtros.

O novo aplicativo tinha 3 ações básicas:

  • Editar fotos com filtro, simulando o que fazem as câmeras estilo vintage;
  • Compartilhar as imagens com amigos;
  • Explorar a rede (ver foto dos outros participantes do aplicativo).

Dia 16 de julho de 2010 a primeira foto foi publicada e assim nascia o Instagram.

Instagram
O primeiro desafio era fazer o Instagram rodar rápido. Já existiam outros aplicativos de fotos, mas eram lentos e a rede 3G da época não ajudava.

Mike resolveu isso de forma inteligentíssima: o carregamento da foto (upload) ocorria em segundo plano enquanto o usuário aplicava o filtro e descrição. Quando o usuário clicava em “Publicar”, a imagem aparecia no feed quase instantaneamente. Isso dava a impressão de que era mais rápido do que qualquer competidor. Genial! A decisão em fixar a resolução da imagem em 612×612 também ajudava no carregamento quase que imediato da imagem.

Antes do lançamento oficial, o TechCrunch publicou uma matéria intitulada “Distilled From Burbn, Instagram Makes Quick Beautiful Photos Social” fazendo o teaser do novo produto fruto do Burbn, destacando a velocidade de publicação das fotos e chamando isso de “molho especial”. Isso gerou um burburinho grande e, em outubro de 2010, no lançamento na Apple Store, o Instagram conseguiu 25.000 instagrammers – nome dado aos usuários daquele aplicativo. O crescimento de novos usuários foi vertiginoso e em apenas 2 meses o aplicativo atingiu a marca de 1 milhão de usuários.

O Facebook levou 10 meses para atingir este número e o Twitter 2 anos. Foi necessária a ajuda do especialista Adam D’Angelo, ex-CTO do Facebook, para deixar o site em pé, tamanho era o volume de acesso.

Quando a versão do aplicativo ficou pronta para o Android, o sucesso era tanto que em apenas um dia o Instagram conseguiu 1 milhão de novos usuários. O número de fotos publicadas saltou de 3 para 60 fotos por segundo. Em 14 meses, 400 milhões de mensagens tinham sido compartilhadas pelo Instagram.

Neste meio tempo diversos acontecimentos foram cobertos por instagrammers mundo afora: o terremoto no Japão e o uso do Instagram na campanha presidencial dos EUA foram os destaques.

Obama foi o primeiro candidato a usar as redes sociais com eficiência. Enquanto investiu 47 milhões de dólares, o candidato republicano investiu um décimo disso. Na ocasião, Mike foi convidado a visitar a White House e se encontrou com Michelle Obama.

Com o aumento do número de usuários, a crescente fama dos fundadores e a responsabilidade social que acabavam de ganhar, o Instagram gerou cobiça de investidores e começou uma guerra não declarada de quem iria comprar o aplicativo.

Os investidores da Andreessen Horowitz foram pegos de surpresa com o “pivoteamento” do Burbn e quase que de forma simultânea investiram no Picplz, que era um concorrente direto do Instagram. Jack Dorsey se julgava mentor de Kevin e por isso achava que teria direito de compra. E Mark Zuckerberg, é claro.

Zuckerberg sabia que o Facebook não estava preparado para o mundo do celular e não tinha a questão de fotos bem resolvida. Por isso não perdeu tempo e foi mais ágil e decidido ao oferecer a incrível quantia de US$1 bilhão pelo aplicativo.

O livro de Filipe conta em detalhes como foram os bastidores do processo de compra e diz que este episódio foi conhecido como “A traição do Instagram” e “A vitória do Facebook”.

O autor levanta questões por trás da motivação da compra e faz uma análise se o Instagram vale ou não o valor oferecido.

Se por um lado alguns analistas falavam de supervalorização apenas para matar um possível competidor que ainda não gerava um tostão, outra corrente diz que saiu barato – recentemente o Snapshat recusou a oferta de US$ 3 bilhões e o Whatsapp foi comprado por US$ 19 bilhões.

Como conclui o autor, era a chance do Facebook se posicionar no mobile e oferecer uma experiência melhor para as fotos. Ao reconhecer a própria mortalidade, o Facebook age dessa forma com as startups a fim de sobreviver e crescer. E talvez aí esteja o segredo do Facebook como empresa, para permanecer sempre atual.

O Facebook prometeu que não iria mudar o Instagram e continuaria independente. O livro traz na íntegra os comunicados enviados pelas duas empresas à época da contratação e faz um contraponto: após 1 ano da aquisição, o Instagram mudou os termos de uso, colocou propagandas e impediu as dezenas de aplicativos de usar os termos “insta” ou “gram” no nome. Esse fato foi muito comentado nos EUA, pois os fundadores até então incentivavam outros aplicativos associarem suas marcas ao Instagram e o crítico mais ferrenho que ganhou notoriedade foi Itay Adam com o post “Mike Krieger matou minha startup”.

E você caro leitor, usa o Instagram? Aí vai o meu:

Instagram ranjunior

 


instagram-capaEm “O clique de 1 bilhão de dólares”, o jornalista Filipe Vilicic conta como o brasileiro Michel virou Mike, e traz à luz os detalhes da surpreendente negociação de Kevin Systrom (principal acionista do Instagram) com Mark Zuckerberg, durante a Semana Santa de 2012. Como pano de fundo, ele descreve com precisão o ambiente competitivo frenético do Vale do Silício e a disputa pela compra do Instagram.

Compre o livro “O clique de 1 bilhão de dólares” na Livraria Cultura.

 

 

 

Por Roosevelt Nascimento