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Como o TED me fez plantar árvores

TED

Gosto de assistir aulas e palestras quando são bem ministradas – e rápidas. Para quem gosta de ler e estudar sobre técnicas de apresentação, já deve ter escutado ou assistido as palestras do TED. E neste post vou falar sobre o TED, técnicas de apresentação, livros sobre o tema e como tudo isso misturado me fizeram plantar árvores. Sim, plantar árvores!

O TED (Technology, Entertainment, Design) é uma série de conferências e palestras destinadas à disseminação de ideias, sem fins lucrativos e são realizadas ao redor do mundo pela Fundação Sapling. Com slogan “ideias que merecem ser disseminadas”, os encontros iniciaram em 1984 no Vale do Silício, mas só em 1990 virou conferência global.

chris andersonDe lá para cá o TED ganhou muita popularidade e foi impulsionada quando Chris Anderson assumiu o evento, em 2001 – até hoje ele é curador e apresentador do evento. A popularização foi tanta, que hoje em dia é comum encontrar vídeos do TED no Netflix e nas TVs de canal pago.

Desde então diversos Prêmios Nobel e pessoas influentes tem palestrado: Bill Gates, Al Gore, Richard Dawkins, Philippe Starck, Gordon Brown e assim por diante. Em 2009 o TED criou o TEDx, programa de eventos locais, organizados de forma independente, que reúne pessoas para dividir uma experiência nos moldes do TED. No Brasil já foram realizados centenas de eventos TEDx. As palestras ganharam tanta notoriedade que, com mais de vinte mil voluntários, traduziram as palestras para 112 línguas diferentes.

Para assistir ao TED Global, o candidato precisa se inscrever no site e preencher um extenso formulário com perguntas do tipo:

  • Quais foram suas maiores conquistas?
  • O que lhe dá paixão?

E assim por diante. São selecionadas apenas pessoas que podem contribuir de alguma forma com a comunidade, por meio de seu networking, influência e energia. Depois de todo esse “processo seletivo”, o candidato tem que desembolsar quase US$8.000. Existe um “atalho” para participar do evento pagando a módica quantia de US$17.000 – ou US$150.000 – para entrar no grupo de doadores ou “patronos” do evento – mesmo assim há um processo seletivo. Estes valores se referem ao evento de 2016, realizado em Vancouver/Canadá, e o tema foi “Dream”.

TED 2016 - "Dream"

TED 2016 – “Dream”

Há uma parcela de convites reservadas – de graça – para jovens talentos e pessoas influentes em países em desenvolvimento. Além disso, existem cotas de patrocínio para algumas empresas terem acesso aos formadores de opinião presentes nos eventos.

Chris Anderson é um gênio! Segundo suas próprias palavras:

Pegamos dinheiro de alguns ricos da Califórnia e gastamos com ideias no mundo inteiro.

Apesar da frase acima ter sido dita em tom de brincadeira, Chris conseguiu fazer um modelo de negócio extremamente lucrativo. Já deve ter ultrapassado a marca dos US$50 milhões arrecadados por ano (em 2012 foi US$ 44,1 milhões). E o TED pertence à empresa Sapling Foundation, uma fundação privada sem fins lucrativos. E isso…evidentemente, é motivo de muita crítica.

Isso até gerou a necessidade do TED criar uma página sobre isso. Mas quero dar foco neste texto às apresentações – mais especificamente: às técnicas de apresentação. Já foi tema desse blog dois posts sobre técnicas de apresentação: um sobre Steve Jobs e outro sobre a empresa brasileira SOAP, especializada em apresentações profissionais.

As “talks” (como são chamadas as palestras) são limitadas a dezoito minutos – ou menos. Todo palestrante tem domínio sobre o tema e treina exaustivamente a fala, para que a apresentação seja perfeita. E todas palestras do TED são perfeitas!

As técnicas usadas no TED são tão famosas e discutidas no meio, que começaram a aparecer diversos especialistas no assunto e até livros sobre o tema. E aqui gostaria de citar três exemplos:

Chris Anderson: o próprio “chefe” do TED lançou um guia oficial de como falar em público. Segundo o autor, o conteúdo do livro ensina a criar falas curtas que mostre empatia, entusiasmo e espalhe conhecimento, para compartilhar sonhos.

Camine Gallo: escritor, jornalista e famoso coach de comunicação nos EUA. Em seu novo livro “Talk Like TED”, o autor desconstrói as estratégias e técnicas utilizadas pelos palestrantes mais populares do evento, revelando nove segredos dessas apresentações e cria um passo-a-passo de como montar uma apresentação que seja envolvente, persuasiva e memorável.

O mesmo autor fez a desconstrução das palestras do Steve Jobs, no livro “The Presentation Secrets of Steve Jobs – How to Be Insanely Great in Front of Any Audience” – este livro já foi tema deste blog.

Nancy Duarte: escritora e CEO da Duarte Design ela é referência no Vale do Silício na preparação dos “pitch” das startups para investidores. Seu livro “slide:ology: The Art and Science of Creating Great Presentations” é um dos mais famosos sobre o tema (ela é referenciada no livro da SOAP, por exemplo) e tem uma palestra “revelando” a estrutura de grandes falas no TED.

Existem dezenas de vídeos sobre o tema no próprio site do TED, que listo no final deste post, mas gostaria de destacar duas.

São as mais engraçadas e sem conteúdo algum que tratam exclusivamente das técnicas:

Como parecer inteligente nas palestras do TEDx

 

Mentiras, malditas mentiras e estatísticas

 

Quando estudava sobre o tema, lendo os textos da Nancy Duarte, descobri que ela ajudou Al Gore no documentário “An Inconvenient Truth”. Sempre tive preguiça para assistir esse documentário, mas resolvi dar uma chance se – e somente se – o documentário fosse realmente uma palestra e não um filme como qualquer outro documentário.

 

aninconvenienttruthposter

E realmente era uma palestra! Fiquei impressionando com o domínio das técnicas utilizadas pelo palestrante durante todo documentário. Uma aula de técnicas do começou ao fim. Duas coisas me chamaram atenção:

Treino

Al Gore ministrou a mesma palestra mais de mil vezes. Isso que é treino heim?! Os livros citados acima reforçam a necessidade de treinar e ensaiar exaustivamente a palestra. Mas quanto de nós treinamos para valer? Tipo: mil vezes??!! É um número impressionante. Isso remete ao texto de Malcolm Gladwell, que defende a tese de que sorte só e Sorte, com S maiúsculo, se for combinada com muito suor e trabalho árduo – ele até diz que são necessárias 10.000 horas de trabalho para a “sorte” te fazer uma pessoa notável. E Al Gore é uma pessoa notável.

Conteúdo

Sim, o conteúdo do documentário é muito bom. A forma como Gore apresentou fez toda diferença. Nos livros citados acima, os autores reforçam a necessidade de ter uma história para contar. Ou seja, ter um bom conteúdo. E o que Al Gore apresentou é uma história tão relevante e tão importante que é impossível ficar incólume ao documentário.

Não sabia que antes de ser vice-presidente dos EUA e concorrer ao cargo máximo daquele país, Al Gore era ativista e brigava há anos, no congresso, para emplacar leis de proteção ambiental e redução das emissões de poluentes, afim de reduzir a acelerada taxa de aquecimento global.

E advinha o que aconteceu?

No final de semana seguinte plantei 20 árvores frutíferas! Laranja, mexerica, limão, manga, abacate e por aí vai.

Isso não vai fazer diferença no mundo, mas fez diferença para mim.

Além de ser uma boa história para contar, acho que me tornei mais consciente ecologicamente falando. Comecei a valorizar e contribuir com a coleta seletiva e a compostagem realizada no condomínio em que moro. Pequenas ações como esta, se realizadas por todo mundo, podem fazer diferença.

Plantando árvores jr02

árvores plantadas

Fico me imaginando velhinho, com meus setenta e tantos anos de idade, contando estas histórias para meus netos e bisnetos, comendo frutas aos pés das árvores que ajudei a plantar.

E o mais legal foi contar com a ajuda do meu tio Antônio, Tina e Claudia. Parceiros desde sempre! Cheers!

Junior e Antônio

E você, já plantou uma árvore em sua vida?


 

Aqui vai uma lista de palestras e dicas do próprio TED, sobre como melhorar sua fala em público:

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