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Foco no produto e não nas vendas

Se o seu produto web ou aplicativo móvel precisa de propaganda intensiva ou de vendedores para vendê-lo, ele não é bom o suficiente. A tecnologia tem que direcionar o desenvolvimento de produto e não na distribuição.

Essa é uma das 4 grandes lições ensinadas por Peter Thiel, em seu livro “De Zero a Um” (“Zero to One“). Peter é cofundador do PayPal, foi investidor anjo de sites como Facebook, Linkedin, Yelp, SpaceX e Airbnb. O moço tem pouco conhecimento não?!

Mas o livro é muito mais do que isso.

Thiel defende a tese de que copiar um modelo já existente é mais fácil do que criar algo novo. E quando o novo acontece, é um momento singular. Ele diz que o próximo Bill Gates não vai criar um sistema operacional. O próximo Larry Page ou Sergey Brin não vão criar um sistema de busca e o próximo Mark Zuckerberg não vai criar uma rede social.

E se você está copiando essas pessoas, não está aprendendo com eles.

Fazer algo que já existe é como você ir de 1 a n, fazendo mais de algo já familiar. Mas toda vez que nós criamos algo novo, vamos do Zero a Um. O ato da criação é singular e o resultado é algo novo e diferente.

Peter diz que somente o investimento em tecnologia pode fazer estes “milagres”.

E ele convida a pensarmos no futuro. Se nossa sociedade não mudar nos próximos 100 anos, o futuro está mais do que 100 anos distante. Se as coisas mudarem radicalmente na próxima década, então o futuro está, neste exato momento, em nossas mãos. Ninguém consegue prever o futuro mas sabemos 2 coisas: vai ser diferente e precisa ser trabalhado hoje.

E o futuro está relacionado com o progresso, que pode ser de duas formas: horizontal e vertical. O progresso horizontal é o modelo de cópia das coisas que funcionam – o tal 1 para n. Já o progresso vertical, que é difícil de imaginar porque requer fazer algo que ninguém ainda fez, é o progresso intensivo, o tal Zero a Um.

Neste ponto ele faz uma analogia interessante: na esfera macro ecoonômica, o progresso horizonal é a globalização. É fazer a mesma coisa em lugares diferentes. Já o progresso vertical é a tecnologia.

E esse é o gancho para contextualizar a bolha da Internet, ocorrida no ano de 1999 e que durou 18 meses. Os anos 90 começou com a queda do Muro de Berlin em novembro/1989. Em meados de 1990 os EUA entraram em recessão e rolou um mal estar até 1994. Naquela época o Vale do Silício era um lugar meio parado e o Japão parecia ter vencido a guerra dos semicondutores.

A Internet mudou tudo isso.

Quando o navegador Mosaic foi lançado, em novembro de 1993, permitiu que pessoas “comuns” pudessem navegar e estar online. O Mosaic virou Netscape no final de 1994 e,  depois de atingir mais de 80% de mercado, abriu capital em agosto de 1995. Na esteira vieram Yahoo, Amazon e centenas de empresas. A valorização dessas empresas era vertiginosa. Era um período doido e insustentável. Até o diretor do FED à epoca, Alan Greenspan, alertou o mercado dizendo que era uma “exuberância irracional“.

No mesmo período o mundo passou pelas crises da Ásia (julho/1997) e da Rússia (agosto/1998). Esta última derrubou a gestão de capital de longo prazo, muito alavancada nos EUA, fazendo o FED intervir. O Euro também não ia bem (U$0.83) obrigando a intervenção do G7. Ou seja, a “velha economia” não estava mais conseguindo lidar com os problemas da globalização e o único porto seguro para investidores era o mercado das dot.com.

O grafico abaixo consegue mostrar a correlação entre estes eventos:

dot.com boom

dot.com boom

A NASDAQ atigiu seu pico em março/2000 (5,048 pontos) quando entrou em ação a “justiça divina contra o otimismo tecnológico”, derrubando as empresas de tecnologia, chegando “no fim do poço” em outubro/2002 (1,114 pontos).

A tecnologia foi demonizada e o foco dos investimento voltou à globalização: BRICs e mercado imobilizário. O que resultou, mais para frente, em uma nova bolha: a do mercado imobiliário.

Segundo o autor, os empreendedores do Vale do Silício que sobreviveram à bolha das  empresas .com aprenderam 4 grandes lições que até hoje servem de guia:

  1. Faça avanços constantes e incrementais em seu produto;
  2. Seja enxuto (Lean thinking) e flexível,  Experimente!;
  3. Melhore o produto da concorrência. Não tente criar um novo mercado prematuramente;
  4. Foque no produto e não nas vendas

É claro que esta 4ª lição, que dá título a este post, precisa ser praticada com parcimônia. As empresas trabalham com metas mensais e anuais. Temos que “matar um leão por dia”. De nada adianta uma estratégia de longo prazo, focada na tecnologia, se o dinheiro não entrar em caixa. Evidentemente que a ajuda de investidores facilita este cenário, mas é bem difícil colocar tudo isso em prática em empresas grandes e constituidas, com o modelo de negócio “tradicional”. Já no mundo das startups…estas lições encontram um campo fértil para “sairem do papel”.

Vou falar mais desse livro nos próximos posts, mas se o texto acima te interessou, recomendo fortemente comprar este livro. É sensacional!


As “.com” são as empresas focadas em tecnologia e que hoje em dia são chamadas de startups.

Peter Thiel fundou a Valar, que é um fundo de investimento para empresas de tecnologia, citada em um post anterior sobre o Airbnb. Ele também criou o programa Thiel Fellowship que critica ferozmente o modelo de ensino dos EUA e que ele chama “bolha da faculdade”. O projeto encoraja e financia jovens a largarem a faculdade para trabalhar em uma ideia ou projeto ambicioso. Falarei desse programa mais para frente.

 


 

Zero to One

Zero to One

De zero a um: O que aprender sobre empreendedorismo com o Vale do Silício

O que aprender sobre empreendedorismo com o Vale do Silício não oferece fórmula para o sucesso. O paradoxo de ensinar empreendedorismo é que tal fórmula não pode existir. No livro, o autor revela como construir empresas que criem coisas novas. Apresenta uma visão otimista do futuro do progresso e uma maneira original de pensar sobre inovação: ensina você a fazer perguntas que o levem a encontrar valor em lugares inesperados.

Compre o livro “De zero a um” na Saraiva.